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 Um tema Interessante

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Hélia Cannizzaro



Mensagens : 1065
Data de inscrição : 23/06/2013

MensagemAssunto: Um tema Interessante   Sex Ago 02, 2013 12:43 am

Recebi, em minha caixa de entrada, um e-mail privado me solicitando falar um pouco sobre auto-imunidade.

A resposta imune normal inicia com os APCs (células apresentadoras de antígenos). Antígenos = imunógenos = agentes nocivos que podem ser bactérias, vírus, protozoários, helmintos, fungos, etc). Bactérias que podem ser Gram positivas como Staphylococos aureus, Streptococos pneumoniae, etc. ou bactérias Gram negativas como Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa, etc. Vírus como o Influenzae, da mononucleose infecciosa (Epstein Barr), HIV-1, etc. Protozoários como Entamoeba hystolitica (ameba), Giardia lamblia, etc. Helmintos como Ascaris lumbricoides, Schistosoma mansoni, etc. Fungos como Candida albicans, Tricomonas vaginalis, etc. Enfim, os antígenos, em condições normais, são microorganismos sempre estranhos à nossa estrutura biológica e que provocam diferentes patologias. Os APCs os reconhecem através da expressão de MHC (complexo de histocompatibilidade principal) na membrana dos leucócitos. Todas as células do corpo expressam MHC tipo I, só o sistema linfoide (Amígdalas = tonsilas; Placa de Peyer = na submucosa do intestino delgado, principalmente apêndice); baço e gânglios linfáticos = linfonodos) expressa MHC tipo II, muito mais policialesco e refinado. Após processarem os antígenos, os apresenta para os linfócitos T produzidos pelo timo [numa ligação entre MHC e TCR (receptor de célula T)], e estes últimos estimulam a produção de anticorpos, num processo extremamente complexo. Os anticorpos possuem CDRs (região determinante de complementariedade), na porção N terminal, que se liga especificamente a cada tipo de antígeno processado. Após ligação, a porção Fc (C terminal) se liga ao complemento (produzidos pelo fígado) com destruição deste complexo Ag-Ac (antígeno – anticorpo). Desta feita, nas doenças auto-imunes, os antígenos passam a ser algumas moléculas do próprio paciente, como anti-DNA (anticorpos contra o próprio DNA), como ocorre no LES (lúpus eritematoso sistêmico). Mas como ocorre esse processo imunológico? A Medicina atual já domina o mecanismo completo e a terapêutica? O sistema imune tem uma grande diversidade e um repertório vasto de especificidade expresso na população de célula T e célula B. Em condições normais, o corpo deve estabelecer um mecanismo self – recognition (auto-tolerância), caso contrário se estabelece uma auto-imunidade. Um das primeiras descobertas de produção de auto-anticorpos foi associado com a tireoidite de Hashimoto. Essa doença é bastante comum nas mulheres de meia-idade e frequentemente leva a formação de hipotireoidismo por anticorpos contra a tireoglobulina. Lembrando, que a tireoglobulina habita o colóide, que fica entre as células do folículo tireoidiano, e na presença do iodo a esterifica três vezes gerando o T3 ou quatro vezes gerando o T4, que são hormônios fundamentais no controle do metabolismo basal (=a base da homeostasia). Não confundir com hemostasia, que é cessar um sangramento. Esses Acs contra a tireóide são demonstrados no laboratório por técnica de aglutinação ( o soro do paciente, e no tubo tireoglobulina) e por reação de precipitina (imunodifusão radial, onde a tireoglobulina fica mergulhada em gel). Muitos Acs também podem se dirigir contra o citoplasma das células foliculares da tireóide. Lembrando, que as células parafoliculares produzem calcitonina (um hormônio hipercalcemiante, pois estimulam a ação de renovação do osso pelo osteoclasto (=um macrófago) liberando da matriz óssea o Ca++ que cai na corrente sistêmica. Por outro lado, existe doença auto-imune, como o lúpus cuja reação se faz com vários tecidos do corpo, daí a gravidade desta patologia. No caso do lúpus, os Acs são produzidos contra o núcleo celular de vários tecidos. Os Acs contra tireóide ocorrem também em alta frequência na anemia perniciosa (Acs contra o fator intrínseco gástrico fundamental na absorção de vitamina B12). Similarmente, autoimunidade tireoidiana tem alta incidência de auto-Acs contra o estômago. A deposição de complexo imune (Ag-Ac) leva a uma inflamação através de uma variedade de mecanismos, incluindo ativação de complemento e recrutamento de fagócitos. O que se observa, não obrigatoriamente, é que há uma elevada incidência familiar de autoimunidade, portanto o fator genético é muito maior que o ambiental. Cada patologia autoimune tem uma tendência a estar associada com um HLA particular (antígeno leucocitário histocompatível). Por exemplo, os meus rins, em condições normais, são histocompatível comigo. O haplotipo B8, DR3 é frequente na doença de Hashimoto. Muito, provavelmente, no futuro com terapêutica competente específica, a descoberta em tenra idade deste haplotipo irá prevenir o desenvolvimento desta patologia. DR3/4 tem um grande risco de desenvolver Diabetes Tipo I. Hoje, já é bem sabido na ciência Imunologia, que auto-Acs pode desenvolver IAM (infarto do miocárdio agudo). O processo de autoimunidade produz a lesão, e não a lesão leva à produção de auto-Acs. Autoimunidade pode ser induzida em animais experimentais por injeção de auto-Ags (self antigen) desde que seja introduzido também um adjuvante de Freund´s. Mas, o que seria este adjuvante? São componentes bacterianos. O melhor adjuvante usado no laboratório é o Mycobacterium tuberculosis em suspensão que é então emulsificado com solução de auto-Ag aquoso. Seria então necessário a presença de adjuvante para gerar autoimunidade? Porque nem todos os pacientes com tuberculose desenvolvem autoimunidade? A ciência atual sabe profundamente deste tema? Sobre os adjuvantes, tem-se visto com frequência pacientes que tomaram a vacina contra gripe (Ag atenuado), ou desenvolverem a própria doença ou uma autoimunidade, como a mielite transversa (com auto-Acs contra a medula espinhal) muitas vezes com paralisias irreversíveis. A Medicina atual, conhece profundamente este mecanismo?. Outros tantos auto-Acs contra receptores de acetilcolina levando Myastenia gravis (astenia grave); Acs contra espermatozoides; Acs contra a membrana basal do capilar glomerular (Síndrome de Goodpasture´s); Acs mitocondriais na cirrose biliar primária, etc. Depois falaremos sobre um outro tema importante: hipersensibilidade, que contribui e muito para o entendimento deste tema. A auto-tolerância (não reagir consigo mesmo) ocorre desde a embriologia no desenvolvimento dos linfócitos, no reconhecimento de todo repertório habitual do organismo. Na autoimunidade há uma falha no reconhecimento de self peptides = self epitopes. Interessantemente, é que em condições normais, os auto-epitopos aparecem em alta concentração na superfície dos APCs em associação com MHC. Na alta reatividade da célula T (autoimunidade), o que se vê é self epitopes aparecerem em muito baixa concentração nos APCs. Será que em alta concentração circulante, aumenta a memória imunológica do normal (=próprio)?. As células T (=linfócitos T) são o pivô para o desenvolvimento de autoimunidade. Mais recentemente, se viu que a desregulação de citocinas (proteínas pró-inflamatórias produzidas pelos monócitos e linfócitos) pode também levar a ativação de células T auto-reativas. Justo, na atualidade, se faz uso terapêutico de anti-citocinas, claro com seus inconvenientes de poder gerar nos pacientes anticorpos contra a própria molécula da anti-citocina (que é uma proteína alogênica = "do outro"). Os mecanismos terapêuticos são variáveis, de acordo com a gravidade dos sintomas e da resposta terapêutica. Normalmente, os anti-inflamatórios não hormonais (como a indometacina) bloqueia a formação Ag-Ac; anti-inflamatórios hormonais como os corticoides inibem desde o MHC, são mais potentes mas também têm efeitos colaterais indesejáveis; em outros casos mais graves, o uso de imunossupressores como a ciclosporina. Falaremos em breve de hipersensibilidade.
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