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 Carta para Sigmund Freud

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Hélia Cannizzaro



Mensagens : 1065
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MensagemAssunto: Carta para Sigmund Freud   Qui Jul 04, 2013 11:52 pm

Turma 133
Tenho tido encontros com Grupos de Psicanálise, após a morte de minha irmã Suzana Cannizzaro que era Psicanalista -
uma extraordinária Psicanalista. Desde nossa formação científica, em conjunto, em ciências distintas e que se complementam - escutei-a sempre muito e estudamos às léguas.
Na última reunião que tivemos, e refletindo sobre a situação atual de nossa Nação e do homem que a habita - resolvi escrever este texto com certa ironia (deitando no Divã na presença de Freud e me curando de tudo em definitivo - numa única sessão).
Lê-se:

Carta para Sigmund Freud - Um Recado para minha irmã Suzana
(Inspirado em Luís Cláudio Figueiredo– Elementos para a Clínica Contemporânea)

Caminho separando meu corpo da mente e deságuo em linguagem para que o analista possa me ver em fácies e me libertar dos recalcamentos, para que os afetos em posição ambígua partam de mim em definitivo. Será mesmo possível? Vê-se mesmo em Figueiredo que a humanidade se perdeu onde a cultura é Ordem e que um dos Caos é a própria Natureza (?). A Natureza não é tão-somente caos, a Natureza se ordena (deixa de ser randômica ou ao acaso) na Energia Livre (G) que é Vida Motriz, e na Entalpia (H) que nos aquece e que se afasta, talvez, e desejosamente, do apocalipse Bíblico. A Natureza dos homens, esta, sim, é entrópica (S), esta sim é o próprio caos. Andando pela história da humanidade, entre antiguidade, idade média, modernidade e pós-modernidade – Latour foi o melhor que definiu tudo isso: “jamais fomos modernos”. Em Figueiredo, a Idade Moderna está exposta ao traumático e às dissociações. Digo eu, que o bem se confunde com o mal, a nascente com a corredeira, o instrumento de sopro com o instrumento de corda. Tudo incompatível gerando cisões (clivagens) e recalcamentos. Quando dizemos, antes de ler Figueiredo, “fulano de tal é recalcado”, estamos falando de nós mesmos. Freud viu uma crosta na vesícula biliar, certamente porque a vesícula tendo ácido glicocólico e taurocólico (que são amargos) e que se misturam ao pegajoso tecido adiposo (gorduroso), sugeriu que retiremos esta crosta mesmo sofrendo dor. Essa dor nos liberta de sermos falso self e, pronta para ser depositada na lixeira, seremos true self para nós mesmos e para aqueles que nos rodeiam. A existência do trauma deve ser aceita como tal, porque dentro do córtex cerebral pensante e dentro do sistema límbico memórico, possibilita uma chance de transformação. Façamos o caminho, inconsciente para o consciente, eis a questão. O episódio traumatizante desautorizado não impõe transformação. Desde tenra idade, o negócio é sobreviver, mesmo diante dos traumas, e isto até para o bebê, que apesar dos primeiros recalques, com seus corpos estranhos, quer inconscientemente sobreviver. Lá se vão os objetos maus entre solidão materna, mamadeira quente, depois bomba atômica, depois vergonha da nudez com erisipela. Que Deus me livre da desintegração regressiva e da despersonalização, e por ser risco a todos holograficamente, não é privilégio só dos psicóticos. Já devem existir, por certo, neuróticos desintegrados em estado de putrefação. Enterre-os imediatamente. É preciso, com coragem, suportar as cargas tóxicas, medir o índice ambiental radioativo e correr léguas daquele lugar. Deve haver ali uma alien hand ou mão alheia, que deve ser da Terra ou do Além, pois uma mão é minha e outra não. O analista mais que competente faz comigo uma soma de dissociação, somos dois a encenar (enactment) uma peça teatral que tem um fim, porque chega a hora do analista assumir seu próprio DNA psíquico. Saio também do cenário, do consultório, e caminho agora para outra peça teatral que é a sociedade. Em poucas palavras, o analista quer “fazer sentido”, “quer tomar o inconsciente consciente”, e quer “fazer do Isso Eu”. O meu trauma sempre tem que ter sentido, é preciso romper as vias de trânsito e unir estradas paralelas e incomunicáveis. Não sei se concordo ou não com Merleau-Ponty quando fala da existência mais resignada, ou seja, a dialética sem síntese. A resignação nos enfraquece e me fala que a sujeira deve ser mantida; a saúde desacreditada; ou o amor impossível. E a dialética jamais terá síntese, os opostos filosóficos são próximos ou impostos, mas a terra e a energia da luz ao quadrado (onde me encaminho no futuro) jamais pode se dar ao luxo de ser reducionista (síntese). Gosto muito quando Figueiredo diz que “não existe mesmo universalidade invulnerável”. Talvez a metapsicologia seja igual à metafísica – que é matéria subterrânea e jamais será palpável. O homem está restrito à Terra, e ponto final. E por isso, Fairbain após Freud, afirmou que estamos marcados pela experiência do sofrimento. O "prazer" é um objeto confiável, mas sempre assaltado pelos maus objetos. Que pena! Fairbain poderia nos ter poupado quando afirmou que o universo não tende para morte entrópica, que é a pulsão de morte de Freud. Se se ler as Leis da Ciência Termodinâmica que fez de Einstein o precursor do satélite, dos celulares, do micro-ondas, etc., vê-se que a morte entrópica (S) é, sim, possível. O acaso (= randômico, bagunça) é bem mais frequente que a estabilidade. Nenhum analista viu um suicídio num paciente com pulsão de morte? Claro, que sim. E os extremos positivos que são também mortíferos. Diz a canção: “Tudo azul, Adão e Eva no paraíso !”Há mesmo um individualismo esquizoide entre nós nesta pós-modernidade, onde cada um na sua e nada entre nós. Deu para entender que a histeria é a primeira estação e deste sofrimento surge a algazarra e a teatralidade (enactment). Nada mais sabemos, pelas ruas por onde andamos, se aquele que fala, fala como ele, ou fala teatro como outro personagem. Ou será que ali também somos Fellini? Tá por fora (Acting out) abrigar em nós corpos estranhos que nos infectam, nos adoecem, e nos faz assistir peças, às vezes, piegas ou mesmo deploráveis. Não me apraz mais ação de terrorismo interno, que esperem Ego libidinais para endoidar com promessas de satisfação plena. Já conquistei meu amor periférico, meus livros, meu palco, minhas partituras, meus rubis e esmeraldas, e minhas flores prediletas. Lamento por Verleugnung, esse vai desistir mesmo e eu não posso fazer nada, só os analistas e olhe lá !. Ele não quer sobrevivência, não quer realidade ou escolher a que melhor lhe apraz, não quer percepção, não interessa fazer associações, não se impacta ao objeto seja Van Gogh, Julia Roberts, Antônio Banderas, Enéas, Lenine, Villa Lobos, ou Pixinguinha, e otariamente é um narciso. É uma tese sem conclusão. Será que existe mesmo gente assim? Coitado dos analistas. O que ele quer é alguém idêntico, e o analista tem que fazer esse papel em sua contra-transferência. Depois vem o borderline que tem medo de ser abandonado e/ou invadido, num paradoxal padrão oscilatório (pendular). Esses sempre se sentem eficazes, mas quando é “tudo bem” não é merecedor e quando é “tudo mau”, uma pirâmide de Quéops se soergue em sua cabeça em busca desesperada do “tudo bem”. Não seria melhor um Psiquiatra para eles? A crosta de sua vesícula, a de Freud, não está apenas na parte externa denominada histologicamente de adventícia, quando presa ao fígado, e camada serosa quando livre na cavidade abdominal. Mas a crosta se infiltra por toda a parede da vesícula, entre músculo liso, lâmina própria perivascular e mucosa pregueada com epitélio cilíndrico simples. Não dá mais como retirar uma crosta tão profunda. Acho que o analista sofre. Será? O segredo de quase tudo, pois não existe tudo, é construir espaços para o prazer de brincar, como afirma Figueiredo. Não fazer sabotagem ao Prazer e não ser um “Estraga-Prazer”. Talvez com Freud teria a chance de deitar num "senhor" divã, mas meu setting é mesmo a própria cadeira e o palco in front of em ser profissional em Medicina. Não importa, amanhã de manhã o próprio Sigmund Freud chegará em minha casa, irei ao aeroporto busca-lo (ele não gosta dessas pompas, me falou ontem ao telefone), e irei de imediato pergunta-lo esta razão do divã, que não me inquieta, mas justo agora passou a me inquietar. Depois de Freud certamente perguntarão: com ele foi divã ou foi cadeira ou foi um romântico conto? Eu direi: Depois eu conto. A verdade é que depois da consulta com Freud, cansei de encenações e me libertei num passo de mágica (numa única consulta com ele!) da minha "alma assassina" (soul murder). Agradeço muito a Figueiredo que me deu a grande oportunidade de me deitar no divã tendo como analista justo o criador da Psicanálise: Sigmund Freud. Parei de dizer “Ainda-Não”, e parto para o mundo iluminista livre dos recalques de minha infância tão bem expressos no Caminho de Swann de Marcel Proust e que sempre deságua na Terra e os Devaneios da Vontade de Gaston Bachelard. E foi, assim, um talking cure (levando à cura) e um life giver (para dar vida) - Levando a Cura Para Dar Vida. Viva a Psicanálise Suzana e Viva a libertação da "alma assassina" do "povo" (de cada um contra si mesmo) - e do povo brasileiro !
Hélia Cannizzaro



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anninha.franco



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MensagemAssunto: Re: Carta para Sigmund Freud   Ter Jul 09, 2013 1:22 am

Professora Hélia,

Eu realmente não tenho muitos conhecimentos acerca da psicanálise, porém pude absorver e refletir sobre alguns pontos abordados neste complexo e profundo texto. Pelo entendimento que tive, pude perceber que a natureza humana é verdadeiramente entrópica e tende ao caos constante, nos tornando seres vulneráveis e oscilantes.
Há um momento em que a desordem biológica se torna tão grande, que o nosso corpo material já não é mais capaz de suportá-la, se agitando em moléculas desordenadas de energia transcendente que nos liberta de um corpo tão sufocante.
As oscilações fazem parte da fisiologia humana, e nos pegamos muitas vezes boicotando a nós mesmos, sendo verdadeiros estraga-pazeres, como foi supracitado. Às vezes não conseguimos conciliar o controle do nosso estado emocional e mental aos efeitos que as desordens exercem sobre o nosso organismo.
O sofrimento, por mais extenuante que seja, é vital para que possamos nos curar das mazelas da vida, em analogia a um paciente que, por mais doloroso que o tratamento seja, anseia por esse sofrimento momentâneo para um alívio subsequente.
Muitas vezes, insistimos em guardar algumas coisas ainda no subconsciente, porque não temos a força necessária para trazê-las ao consciente. Eu acho que às vezes, é muito libertador poder encarar algumas situações e emoções, mesmo com um sofrimento extremo, para que possamos nos tornar mais leves.
Achei lindo o texto, e a homenagem à sua querida irmã. Às vezes conseguimos nos expressar muito melhor pela arte e libertar o que estava nos sufocando.

Venho aqui, compartilhar um texto de Santo Agostinho que eu acho belíssimo e espero que possa ajudá-la um pouco a refletir e conciliar o bombardeamento de emoções que se apoderam em um momento tão difícil:

"A morte não é nada.
Eu somente passei
para o outro lado do Caminho.

Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês,
eu continuarei sendo.

Me dêem o nome
que vocês sempre me deram,
falem comigo
como vocês sempre fizeram.

Vocês continuam vivendo
no mundo das criaturas,
eu estou vivendo
no mundo do Criador.

Não utilizem um tom solene
ou triste, continuem a rir
daquilo que nos fazia rir juntos.

Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.

Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.

A vida significa tudo
o que ela sempre significou,
o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora
de suas vistas?

Eu não estou longe,
apenas estou
do outro lado do Caminho...

Você que aí ficou, siga em frente,
a vida continua, linda e bela
como sempre foi."

Santo Agostinho

Minhas sinceras saudações,

Anna Luísa Franco.
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Hélia Cannizzaro



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MensagemAssunto: Re: Carta para Sigmund Freud   Ter Jul 09, 2013 2:34 am

Anna Luísa Franco.
Toda nossa família acaba de ler a maravilha do seu texto.
Tomados de muita emoção não temos mais nada a dizer, só te agradecer.
Toda família Cannizzaro te agradece agora, e Suzana e Papai também.
Muito Obrigada, sinceramente,
Um grande abraço.
Hélia Cannizzaro

anninha.franco escreveu:
Professora Hélia,

Eu realmente não tenho muitos conhecimentos acerca da psicanálise, porém pude absorver e refletir sobre alguns pontos abordados neste complexo e profundo texto. Pelo entendimento que tive, pude perceber que a natureza humana é verdadeiramente entrópica e tende ao caos constante, nos tornando seres vulneráveis e oscilantes.
Há um momento em que a desordem biológica se torna tão grande, que o nosso corpo material já não é mais capaz de suportá-la, se agitando em moléculas desordenadas de energia transcendente que nos liberta de um corpo tão sufocante.
As oscilações fazem parte da fisiologia humana, e nos pegamos muitas vezes boicotando a nós mesmos, sendo verdadeiros estraga-pazeres, como foi supracitado. Às vezes não conseguimos conciliar o controle do nosso estado emocional e mental aos efeitos que as desordens exercem sobre o nosso organismo.
O sofrimento, por mais extenuante que seja, é vital para que possamos nos curar das mazelas da vida, em analogia a um paciente que, por mais doloroso que o tratamento seja, anseia por esse sofrimento momentâneo para um alívio subsequente.
Muitas vezes, insistimos em guardar algumas coisas ainda no subconsciente, porque não temos a força necessária para trazê-las ao consciente. Eu acho que às vezes, é muito libertador poder encarar algumas situações e emoções, mesmo com um sofrimento extremo, para que possamos nos tornar mais leves.
Achei lindo o texto, e a homenagem à sua querida irmã. Às vezes conseguimos nos expressar muito melhor pela arte e libertar o que estava nos sufocando.

Venho aqui, compartilhar um texto de Santo Agostinho que eu acho belíssimo e espero que possa ajudá-la um pouco a refletir e conciliar o bombardeamento de emoções que se apoderam em um momento tão difícil:

"A morte não é nada.
Eu somente passei
para o outro lado do Caminho.

Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês,
eu continuarei sendo.

Me dêem o nome
que vocês sempre me deram,
falem comigo
como vocês sempre fizeram.

Vocês continuam vivendo
no mundo das criaturas,
eu estou vivendo
no mundo do Criador.

Não utilizem um tom solene
ou triste, continuem a rir
daquilo que nos fazia rir juntos.

Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.

Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.

A vida significa tudo
o que ela sempre significou,
o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora
de suas vistas?

Eu não estou longe,
apenas estou
do outro lado do Caminho...

Você que aí ficou, siga em frente,
a vida continua, linda e bela
como sempre foi."

Santo Agostinho

Minhas sinceras saudações,

Anna Luísa Franco.
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MiriamCarvalho



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MensagemAssunto: Re: Carta para Sigmund Freud   Qua Jul 10, 2013 2:22 am

Texto lindo Anninha, não podia deixar de comentar (:
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MiriamCarvalho



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MensagemAssunto: Re: Carta para Sigmund Freud   Qua Jul 10, 2013 2:51 am

Hélia, seu texto me lembrou uma discussão que estava tendo numa das visitas ao centro budista que frequento, a qual muito me ajudou a compreender a definição da palavra Duka. Duka significa no budismo tristeza e também significa alegria (o que para nossa visão ocidental e limitada seria contraditório). Esses são conceitos indissociáveis e dinâmicos: "toda alegria precede uma tristeza, assim como estados de tristeza são presságios de alegrias". Gostaria de compartilhar uma breve explicação acerca da primeira nobre verdade revelada por Buda referente a este conceito:

“A Primeira Nobre Verdade é que a vida é insatisfatória. Em geral é traduzido como, “a vida é sofrimento”. Mas não é exatamente isso que Buda quis dizer, a palavra que ele usou foi duka. Duka vem da raiz duk, que significa eixo. Naquela época já se usavam rodas, carroças e eixos. Imagine duka como um eixo descentrado, um eixo que não está bem no centro da roda, então a roda sobe e desce porque não está exatamente no centro e isso é o que a vida faz conosco, ela tem ciclos, às vezes em cima, às vezes embaixo, às vezes de um lado, outras de outro, ela varia. Então, a primeira consideração de Buda é de que a vida sobe e desce e não tem como evitar esse fato. "

Talvez para uns seja uma crosta na vesícula, pra outros seja Duka. Independente das crenças, creio eu que tudo isso se refere à mesma essência dinâmica da nossa existência.

Att, Míriam Carvalho
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eduardo.caminha



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MensagemAssunto: Re: Carta para Sigmund Freud   Qua Jul 10, 2013 4:16 am

Míriam,
Muito interessante essa ideia que você expôs. Lembrei-me agora de um seminário que vi pela internet, chamado "Notes & Neurons: In Search of the Common Chorus", em 2009, como parte do World Science Festival (quem puder, acompanhe, é muito bom). O seminário contou com personalidades da música e da ciência, sendo um deles o Bobby McFerrin, músico genial (e que eu admiro bastante), dos primeiros a explorar o corpo como instrumento de forma absurda (quem puder, ouça o novo álbum dele, "SpiritYouAll").
O mais interessante é que, do meio para o final, é mostrado um experimento que compara a percepção musical do homem ocidental e oriental. Para deixar um pouco mais claro, e de forma simplória, a música ocidental possui algumas escalas básicas, como as maiores e menores, que são definidas assim por diferença de um semitom na terceira nota de oito. Isso nos traz (aos ocidentais) uma percepção distinta: dizemos, por analogia, que escalas maiores remetem à alegria, sol, luz, e escalas menores à tristeza, lua, escuridão. Ou seja, basicamente sentimentos opostos. É intrigante ver, a partir disso, como a cultura oriental trata tais assuntos de forma tão intrincada, parte-de-um-todo. As escalas indianas não possuem distinção maior/menor. Se fizermos uma análise do ponto de vista ocidental, possuem as duas numa só. E ocidentais, quando submetidos a um teste vocal para completar a escala indiana, ouvindo três ou quatro notas e sendo indagados à próxima, perdem-se completamente porque seus cérebros não conseguem processar essa informação, tendendo a inserir uma "errada".

Toda essa falação foi para reforçar, na realidade, o que você acabou de dizer. Nós (acredito que os ocidentais mesmo), não fomos nem estamos preparados para lidar com essa holística. Não compreendemos como cabe tudo em só um que não define nenhum, mas ambos. E, retomando os textos de Hélia e Anninha, sinto que é como foi colocado. A sensação de completude em meio a antíteses mutuamente expurgatórias é algo que não nos apetece, sem generalização, é claro. O verdadeiro sofrimento - o luto, por exemplo, o qual estamos inapropriadamente renegando, por imposição de uma cultura que prega cada vez mais a "felicidade incondicional" - é morada de epifanias e catarses. A partir daqui, eu pago a cerveja...

Eduardo Caminha
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Taynnara Andrade



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MensagemAssunto: Re: Carta para Sigmund Freud   Qua Jul 10, 2013 4:53 am

Anninha e Miriam gostei muito do que vocês comentaram...

É curioso como a vida tem suas surpresas... Como estamos em constante transformação, não sendo os mesmos que fomos a uma hora atrás...Somos tão oscilantes, assumindo muitas vezes padrões de comportamento tão diferentes, tão contraditórios, com uma grande influência da impulsividade. Mas por mais diferentes que possamos ser, todos possuímos nossas fragilidades e medos.

Há momentos que a vida nos parece tão injusta, que esquecemos que a dificuldade, a dor e o sofrimento faz parte de nossa condição humana e nos coloca na luta pela superação, e é essa luta que nos proporciona a sensação de estarmos vivos e de seguir em frente, pois a final de contas, se um peso nos é imposto, é porque somos capazes de suportá-lo e superá-lo...

Amo esse trecho do poema Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto:

" ...Severino, retirante,  
deixe agora que lhe diga:  
eu não sei bem a resposta  
da pergunta que fazia,  
se não vale mais saltar  
fora da ponte e da vida  
nem conheço essa resposta,  
se quer mesmo que lhe diga  
é difícil defender,  
só com palavras, a vida,  
ainda mais quando ela é  
esta que vê, severina  
mas se responder não pude  
à pergunta que fazia,  
ela, a vida, a respondeu  
com sua presença viva.  

E não há melhor resposta  
que o espetáculo da vida:  
vê-la desfiar seu fio,  
que também se chama vida,  
ver a fábrica que ela mesma,  
teimosamente, se fabrica,  
vê-la brotar como há pouco  
em nova vida explodida  
mesmo quando é assim pequena  
a explosão, como a ocorrida  
como a de há pouco, franzina  
mesmo quando é a explosão  
de uma vida severina."

João Cabral de Melo Neto


Apesar de todas as pedras no caminho a beleza da vida é inquestionável...

Taynnara Andrade.
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Hélia Cannizzaro



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MensagemAssunto: Re: Carta para Sigmund Freud   Qua Jul 10, 2013 10:51 pm

Miriam Carvalho
Recebi uma aula de você que jamais irei esquecer.
Tendo Buda como elegante e preciso suporte.
Acho que você viu hoje os altos e baixos que vivemos, por exemplo, nesta "Federal".
Projetos indefinidos, professores que não se conhecem, informações incorretas, enfim,
que culminam na busca desesperada do Executivo para tentar solucionar "eixos"
que há muito estão gravemente desviados.
Me assustei, hoje, quando infelizmente entrei na sala de aula às 9:40.
Criptas de Lieberkuhn e microvilosidades no estômago e choque séptico ou hipovolêmico ou
anafilático ou neurogênico tendo como única vivência a histamina dos mastócitos.
Os basófilos representam apenas 1% das células brancas.
As notícias degeneradas das UPAs chegaram aos Tres Poderes e a culpa máxima, e justa,
são dos profissionais "Federais" que ensinam a "ser médico". Um abraço, Hélia Cannizzaro





MiriamCarvalho escreveu:
Hélia, seu texto me lembrou uma discussão que estava tendo numa das visitas ao centro budista que frequento, a qual muito me ajudou a compreender a definição da palavra Duka. Duka significa no budismo tristeza e também significa alegria (o que para nossa visão ocidental e limitada seria contraditório). Esses  são conceitos indissociáveis e dinâmicos: "toda alegria precede uma tristeza,  assim como estados de tristeza são presságios de alegrias". Gostaria de compartilhar uma breve explicação acerca da primeira nobre verdade revelada por Buda referente a este conceito:

“A Primeira Nobre Verdade é que a vida é insatisfatória. Em geral é traduzido como, “a vida é sofrimento”. Mas não é exatamente isso que Buda quis dizer, a palavra que ele usou foi duka. Duka vem da raiz duk, que significa eixo. Naquela época já se usavam rodas, carroças e eixos. Imagine duka como um eixo descentrado, um eixo que não está bem no centro da roda, então a roda sobe e desce porque não está exatamente no centro e isso é o que a vida faz conosco, ela tem ciclos, às vezes em cima, às vezes embaixo, às vezes de um lado, outras de outro, ela varia. Então, a primeira consideração de Buda é de que a vida sobe e desce e não tem como evitar esse fato. "

Talvez para uns seja uma crosta na vesícula, pra outros seja Duka. Independente das crenças, creio eu que tudo isso se refere à mesma essência dinâmica da nossa existência.

Att, Míriam Carvalho
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Hélia Cannizzaro



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MensagemAssunto: Re: Carta para Sigmund Freud   Qua Jul 10, 2013 11:01 pm

Eduardo Caminha
Um prêmio ler seu texto.
Perfeito. Enviei-o, a bons leitores e amigos.
Um abraço e obrigada por esta oportunidade.
Hélia







eduardo.caminha escreveu:
Míriam,
Muito interessante essa ideia que você expôs. Lembrei-me agora de um seminário que vi pela internet, chamado "Notes & Neurons: In Search of the Common Chorus", em 2009, como parte do World Science Festival (quem puder, acompanhe, é muito bom). O seminário contou com personalidades da música e da ciência, sendo um deles o Bobby McFerrin, músico genial (e que eu admiro bastante), dos primeiros a explorar o corpo como instrumento de forma absurda (quem puder, ouça o novo álbum dele, "SpiritYouAll").
O mais interessante é que, do meio para o final, é mostrado um experimento que compara a percepção musical do homem ocidental e oriental. Para deixar um pouco mais claro, e de forma simplória, a música ocidental possui algumas escalas básicas, como as maiores e menores, que são definidas assim por diferença de um semitom na terceira nota de oito. Isso nos traz (aos ocidentais) uma percepção distinta: dizemos, por analogia, que escalas maiores remetem à alegria, sol, luz, e escalas menores à tristeza, lua, escuridão. Ou seja, basicamente sentimentos opostos. É intrigante ver, a partir disso, como a cultura oriental trata tais assuntos de forma tão intrincada, parte-de-um-todo. As escalas indianas não possuem distinção maior/menor. Se fizermos uma análise do ponto de vista ocidental, possuem as duas numa só. E ocidentais, quando submetidos a um teste vocal para completar a escala indiana, ouvindo três ou quatro notas e sendo indagados à próxima, perdem-se completamente porque seus cérebros não conseguem processar essa informação, tendendo a inserir uma "errada".

Toda essa falação foi para reforçar, na realidade, o que você acabou de dizer. Nós (acredito que os ocidentais mesmo), não fomos nem estamos preparados para lidar com essa holística. Não compreendemos como cabe tudo em só um que não define nenhum, mas ambos. E, retomando os textos de Hélia e Anninha, sinto que é como foi colocado. A sensação de completude em meio a antíteses mutuamente expurgatórias é algo que não nos apetece, sem generalização, é claro. O verdadeiro sofrimento - o luto, por exemplo, o qual estamos inapropriadamente renegando, por imposição de uma cultura que prega cada vez mais a "felicidade incondicional" - é morada de epifanias e catarses. A partir daqui, eu pago a cerveja...

Eduardo Caminha
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Hélia Cannizzaro



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MensagemAssunto: Re: Carta para Sigmund Freud   Qua Jul 10, 2013 11:23 pm

Taynnara Andrade
Gosto muito quando leio, e justo você me envia:
"ela, a vida, a respondeu
com sua presença viva".
Quando você fala "somos tão oscilantes" me recordei de um dos textos de papai:
O Processo de Evolução Consciente. Ele é referendado à uma Ciência de nome
Logosofia, presente em todo mundo, em Prol da Superação Humana - com
técnica estabelecida e comprovada de melhoria do comportamento humano -
criada pelo Argentino de Córdoba, Carlos Bernardo González Pecotche.
Papai foi o Fundador da Fundação Logosófica de Brasília, quando Brasília
tinha 2 anos de existência e eu com 5 anos de idade.
Leia o texto, você vai gostar. Se quiser outros textos posso e devo lhe enviar.
Um abraço,
Hélia Cannizzaro

O PROCESSO DE EVOLUÇÃO CONSCIENTE
por Hélio Cannizzaro
Galileu Galilei (1564/1642), Físico italiano, a quem a Ciência deve a introdução do método experimental como o mais importante dos métodos das ciências naturais, fez inúmeras descobertas e invenções em diferentes campos da Física, Mecânica e Astronomia.

A descoberta da lei da queda dos corpos, agasalhando o segredo da igualdade na velocidade da queda de objetos de pesos diferentes, colocou uma lápide na teoria filosófica de Aristóteles (<384 /<322), que durante dois mil anos manteve a humanidade prisioneira da “crença” de que uma pedra de dois quilos caía em velocidade dupla em relação à de um quilo.

Essa inédita descoberta tornou-se famosa gerando porém muita controvérsia pois a sua tese era um insulto a um princípio concebido pelo Pai da Matemática, mas, Galileu Galilei, apoiado na experimentação científica, convidou professores, autoridades, cientistas, estudantes universitários e do alto da torre de Pisa jogou vários objetos de pesos diferentes e da mesma densidade. Os objetos caíram sempre juntos para espanto dos assistentes, ou seja, com a mesma aceleração, e a partir daí ficou plenamente comprovado que as ciências são, por natureza, experimentais.

No plano físico, as descobertas e invenções de Galileu, somadas às milhares de descobertas e invenções de outros cientistas, acolhidas e desenvolvidas pelo trabalho do homem comum no curso dos séculos, trouxe para a geração de hoje um progresso técnico-científico-material de projeções gigantescas, traduzido nos avanços em todas as direções das atividades humanas e também pelo conforto e comodidades proporcionadas pelo uso de máquinas, aparelhos, equipamentos, utensílios, meios de comunicação, veículos, etc., cada vez mais aperfeiçoados e sofisticados. É a grande obra dos homens que pensam, estudam, investigam, observam, raciocinam, experimentam, aceitam mudanças, renovam conceitos, modificam procedimentos, corrigem rotas, pesquisam, planejam e fazem ciência do próprio trabalho.

No plano extra-físico, isto é, no psicológico, no moral, no sensível, no conhecimento de si mesmo e no espiritual, a humanidade não apresenta uma evolução compatível com os anseios e as necessidades do espírito humano porque o homem de hoje —assim como o de outrora —continua prisioneiro de preconceitos, crenças, ideias, crendices, simpatias, superstições, ritos, mandingas, dogmas, fanatismos, ideologias extremistas, etc., com idade de mais de dois mil anos que influem negativamente no seu viver e na construção de um destino melhor, impedindo-o de fazer ciência experimental na sua própria vida.


Carlos Bernardo González Pecotche (1901/1963), pensador e cientista argentino, aponta as causas determinantes desse descompasso na evolução do homem no plano imaterial, quando em seu livro Curso de Iniciação Logosófica, 18a edição, pg. 9, indaga e responde:

“Iniciaremos a exposição deste Curso perguntando porque razão a cultura vigente  ocidental ou oriental  apresenta, em todas as partes, sintomas inconfundíveis que prenunciam sua inevitável decadência. A resposta é clara, simples e unívoca: porque falha pela base. E a que se deve o fato de ela falhar pela base? Às seguintes causas:
•Não foi, nem é capaz de ensinar ao homem conhecer a si mesmo;
•Não lhe ensinou a conhecer o mundo mental que o rodeia, interpenetra e influi poderosamente em sua vida;
•Não lhe ensinou a compreender, amar e respeitar o Autor da Criação, nem a descobrir sua Vontade através de suas Leis e das múltiplas manifestações de seu Espírito Universal”.

Para combater e eliminar as citadas causas, González Pecotche criou a ciência humana “Logosofia”, fundou em 1930 a primeira escola com o nome de “Escola de Logosofia” e em seguida de “Fundação Logosófica”, hoje presente em vários países do mundo com milhares de estudantes e instituiu o “Processo de Evolução Consciente” — singular e superior afazer humano — como meio real e seguro de tirar o homem do exílio mental e psicológico em que permaneceu até aqui e elevá-lo a níveis de superação insuspeitados no plano não-físico.

Para a realização de uma tarefa de tão vastos alcances o criador da Logosofia advertiu que o homem não poderia continuar ignorando a sua constituição mental e psicológica, e, além disso, teria que conhecer profundamente o mistério dos pensamentos, mistério que a sua ciência desvendou denominando-os de “entes psicológicos” que se gestam na mente, nascem, crescem, criam vida própria e podem adquirir suficiente autonomia para desenvolver atividades psíquicas dependentes e independentes da vontade e da inteligência de cada um de nós.

Interpretar e compreender esse novo conceito, experimentar e comprovar por si mesmo a realidade prática que a ciência Logosofia atribui ao vocábulo “pensamento” — e não como está impresso e expresso nos dicionários da nossa língua — é o primeiro passo para penetrarmos em nosso mundo interno e descobrir que lá existem duas correntes de pensamentos: uma, dos pensamentos positivos (nossas virtudes) que obedecem ao comando da nossa vontade e acatam as diretrizes da nossa inteligência; outra dos pensamentos negativos (nossas deficiências e propensões psicológicas) que subestimam a nossa vontade e paralisam as funções da nossa razão. São seres psicológicos de vida própria, autônomos, invisíveis aos olhos do entendimento não preparado, donos absolutos dos espaços que ocupam em nossa psicologia, que se alternam no comando dos nossos atos, das nossas palavras, dos nossos gestos e até do nosso silêncio e que nós mansamente nos submetemos à tirania deles por inteiro e absoluto desconhecimento das suas existências como personagens vivos e habitantes do nosso mundo mental.

Algumas reflexões nos ajudarão compreender melhor a vida e atividade dos pensamentos autônomos, se nos inquirirmos: Nós nos irritamos por vontade própria? Agimos com impaciência diante de uma dificuldade qualquer porque entendemos que esse procedimento é útil à solução dos problemas? Se, ao contrário, compreendemos que é prejudicial à solução, porque então consentimos que a impaciência se instale em nosso comportamento? Aceitamos a intolerância porque interpretamos que ela é um recurso psicológico confortável para nós e simpática aos olhos dos nossos semelhantes? Ficamos de mau humor, nos aborrecemos e nos entristecemos sem um motivo real porque admitimos que são manifestações da nossa inteligência ou da nossa sensatez? E quando atribuímos a “terceiros” (pessoas ou coisas) a culpa pelos nossos desgostos e descontentamentos dá para perceber que os terceiros têm mais poderes sobre as nossas vidas do que nós mesmos?

Com essas e outras reflexões que o leitor deste trabalho queira fazer estaremos sempre diante de duas opções: continuarmos vivendo a vida como o fizemos até aqui, ou seja, participando e trabalhando para o crescimento do processo de evolução do plano físico mas inteiramente alheios à verdadeira e desconhecida realidade do plano não-físico em que os pensamentos negativos dividem o comando das nossas vidas, ou rompermos com a nossa passividade mental e psicológica neste aspecto, estabelecendo um “estado-de-sítio” interno, de onde serão expedidas ordens de prisão a todos os pensamentos-deficiências e propensões psicológicas e recolhidos a uma prisão de segurança máxima controlada pela nossa inteligência, para serem julgados pelo nosso tribunal interno sob a presidência da nossa Razão — agora enriquecida com os novos conhecimentos que a Logosofia nos oferece — e condenados a serem extirpados em definitivo da nossa psicologia, por formação de quadrilha, estelionato psicológico e lavagem cerebral.

Qualquer que seja a opção escolhida é conveniente saber que a ciência Logosofia não tem qualquer parentesco com Filosofia, Psicologia, Psicanálise e teorias extravagantes ou milagreiras. Ela é ciência e cultura a um só tempo, tem método próprio, é medular para o entendimento humano, ensina uma técnica para a formação humana-individual-transcendente mediante a realização do Processo de Evolução Consciente que desemboca no Conhecimento de Si Mesmo ▬ superior estágio mental, moral, sensível, psicológico e espiritual em que poderemos afirmar, sem jactância ou soberba, que agora governamos integralmente as nossas vidas porque somos donos de todos os pensamentos que habitam o nosso mundo mental e não meros veículos passivos ou joguetes de deficiências e propensões psicológicas como sói acontecer com uma grande maioria do comportamento humano.









Taynnara Andrade escreveu:
Anninha e Miriam gostei muito do que vocês comentaram...



É curioso como a vida tem suas surpresas... Como estamos em constante transformação, não sendo os mesmos que fomos a uma hora atrás...Somos tão oscilantes, assumindo muitas vezes padrões de comportamento tão diferentes, tão contraditórios, com uma grande influência da impulsividade. Mas por mais diferentes que possamos ser, todos possuímos nossas fragilidades e medos.

Há momentos que a vida nos parece tão injusta, que esquecemos que a dificuldade, a dor e o sofrimento faz parte de nossa condição humana e nos coloca na luta pela superação, e é essa luta que nos proporciona a sensação de estarmos vivos e de seguir em frente, pois a final de contas, se um peso nos é imposto, é porque somos capazes de suportá-lo e superá-lo...

Amo esse trecho do poema Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto:

" ...Severino, retirante,  
deixe agora que lhe diga:  
eu não sei bem a resposta  
da pergunta que fazia,  
se não vale mais saltar  
fora da ponte e da vida  
nem conheço essa resposta,  
se quer mesmo que lhe diga  
é difícil defender,  
só com palavras, a vida,  
ainda mais quando ela é  
esta que vê, severina  
mas se responder não pude  
à pergunta que fazia,  
ela, a vida, a respondeu  
com sua presença viva.  

E não há melhor resposta  
que o espetáculo da vida:  
vê-la desfiar seu fio,  
que também se chama vida,  
ver a fábrica que ela mesma,  
teimosamente, se fabrica,  
vê-la brotar como há pouco  
em nova vida explodida  
mesmo quando é assim pequena  
a explosão, como a ocorrida  
como a de há pouco, franzina  
mesmo quando é a explosão  
de uma vida severina."

João Cabral de Melo Neto


Apesar de todas as pedras no caminho a beleza da vida é inquestionável...

Taynnara Andrade.
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MensagemAssunto: Re: Carta para Sigmund Freud   Qua Jul 31, 2013 5:03 am

Cada ser que passa em vida, passa de maneira bela e peculiar. E não cabem comparações entre criaturas, pois não existe sentido nisso. É preciso ressaltar insistentemente e exaustivamente que esse ser não era só matéria. E isso nos conforta em certo ponto. No entanto, quando chega a hora da partida, prefiro menos pensar que o ser era alma e mais confirmar que são lembranças que ficaram e que nos fazem bem quando vêm em nossa mente. Lembranças são tintas que foram usadas por quem passou pelo quadro da vida. Temos a possibilidade de que cada manifestação da vida em seu conjunto de acontecimentos nos tragam aquele ser de volta. Pode ser o canto de um pássaro, o sorriso de uma criança, o despertar de mais um dia. Cabe ao nosso olhar interpretar o mundo de maneira serena. Pois é, li textos aqui belíssimos que me comoveram enormemente e me fizerem querer escrever. Tenho uma relação muito forte com minha irmã e imaginei a dor que foi para a senhora ter perdido a sua. Mas trago a idéia de um camarada Rosa (Guimarães) do qual gosto bastante: " as pessoas não morrem, ficam encantadas"

Abraço,

Renata Vieira
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MensagemAssunto: Re: Carta para Sigmund Freud   Qui Ago 01, 2013 9:43 pm

Querida Renata Vieira
Guardo comigo suas palavras e sua Sabedoria.
O camarada Rosa (maravilha!), Guimarães Rosa, é mineiro como eu.
Um abraço direto ao seu coração,
Hélia Cannizzaro

medicina133ufpe escreveu:
Cada ser que passa em vida, passa de maneira bela e peculiar. E não cabem comparações entre criaturas, pois não existe sentido nisso. É preciso ressaltar insistentemente e exaustivamente que esse ser não era só matéria. E isso nos conforta em certo ponto. No entanto, quando chega a hora da partida, prefiro menos pensar que o ser era alma e mais confirmar que são lembranças que ficaram e que nos fazem bem quando vêm em nossa mente. Lembranças são tintas que foram usadas por quem passou pelo quadro da vida. Temos a possibilidade de que cada manifestação da vida em seu conjunto de acontecimentos nos tragam aquele ser de volta. Pode ser o canto de um pássaro, o sorriso de uma criança, o despertar de mais um dia. Cabe ao nosso olhar interpretar o mundo de maneira serena. Pois é, li textos aqui belíssimos que me comoveram enormemente e me fizerem querer escrever. Tenho uma relação muito forte com minha irmã e imaginei a dor que foi para a senhora ter perdido a sua. Mas trago a idéia de um camarada Rosa (Guimarães) do qual gosto bastante: " as pessoas não morrem, ficam encantadas"

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