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 Insuficiência Mitral

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Hélia Cannizzaro



Mensagens : 1065
Data de inscrição : 23/06/2013

MensagemAssunto: Insuficiência Mitral   Seg Mar 30, 2015 6:10 pm

A insuficiência mitral é a condição na qual existe passagem anômala de quantidades variáveis de sangue do ventrículo esquerdo para o átrio esquerdo, durante a sístole ventricular, como consequência da perda do poder de contenção da valva mitral. A movimentação retrógrada de volume de sangue com elevada energia cinética ocasiona, ao nível do átrio esquerdo, desproporção entre continente e conteúdo, determinado hipertensão. Durante a diástole ventricular, a transferência de maior quantidade de sangue do átrio para o ventrículo determina sobrecarga de volume desta câmara. O efeito da regurgitação mitral sobre a circulação pulmonar depende da complacência do átrio esquerdo. O átrio esquerdo dilatado e complacente, como o encontrado nas formas crônicas, produz hipertensão. A insuficiência mitral não é uma entidade isolada. Existe a insuficiência mitral, congênita e adquirida. A congênita é rara, e, geralmente, se associa a outros defeitos congênitos, formando síndromes características, assim, faz parte do atrioventricularis communis e pode estar presente em portadores de ostium primum, de transposição dos grandes vasos, de dilatação aneurismática do átrio esquerdo, etc. As formas adquiridas constituem grupo mais frequente e, dentro deste, a insuficiência mitral reumática ocupa lugar preponderante. Entretanto, na atualidade, formas não reumáticas de insuficiência mitral podem ser bem caracterizadas. A disfunção mitral pode estar presente em diversos estádios da doença reumática, e a auscultação de sopro de regurgitação na área mitral é achado frequente. A insuficiência mitral reumática é, em geral, de evolução crônica, e sua instalação depende inicialmente de surtos sucessivos de valvulite reumática, com fenômenos de cicatrização e retração. A insuficiência mitral sendo uma cardiopatia que subtrai fluxo periférico, produz alterações no débito cardíaco. Apesar desta disritmia e da existência de irregularidades endocárdicas, sequelas da endocardite reumática, a formação de trombos e embolias sistêmicas são excepcionais. O quadro clínico depende do grau de alteração valvar. O quadro clínico é caracterizado pela presença de grave comprometimento geral, estado infeccioso e sinais de franca ICC (insuficiência cardíaca congestiva). A indicação de cirurgia deve então ser cogitada, pois parece ser a única forma de interferir na péssima evolução destes casos. Por outro lado, a insuficiência mitral crônica do adulto é mais frequente e progride de modo lento. A fadiga e as palpitações são características desta fase evolutiva. Às vezes, não se observa progressão dos sintomas durante anos, porém, pelo fato de o ventrículo esquerdo continuar dilatando-se, o paciente pode perceber movimentos precordiais e batimentos mais vigorosos que aumentam de intensidade através do tempo. Os sintomas de hipertensão venocapilar ocorrem, frequentemente, em fases terminais da doença. A evolução dos sintomas depende do grau de regurgitação que, por sua vez, depende do grau de lesão. São raras as hemoptises (perda de sangue de origem respiratória), fenômenos embólicos, caquexia (perda de peso) e dor coronariana. A inspeção do precórdio pode ser de valor em casos acompanhados de dilatação ventricular. A palpação precordial fornece mais informações mostrando, nas fases iniciais, frêmito sistólico ao nível da área mitral. A auscultação é, sem dúvida, o melhor método para o diagnóstico de insuficiência mitral. De início, um sopro holossistólico de alta frequência. A intensidade da primeira bulha diminui como consequência de ausência de área de desaceleração ocasionada pelo deficiente fechamento valvar. Com aumento da sobrecarga de volume do ventrículo esquerdo, favorece a presença da terceira bulha. A segunda bulha aórtica pode ser inaudível. Nos dados radiológicos (Raios X), há um visível aumento proporcional do átrio e ventrículo esquerdos, sendo achados característicos. Ocasionalmente, a atriomegalia pode ser tão grande (átrio “cisterna”) ao ponto de dificultar a avaliação das outras câmaras cardíacas. ECG, Eco, etc. O que melhor pode ser visto, como diagnóstico do anel mitral, é uma calcificação da estrutura (depósito de cálcio nos elementos fibrosos do anel). Também podem ocorrer, alterações das lacínias, rotura de cordoalha tendinosa, rotura do músculo papilar, disfunção do músculo papilar, e síndrome do “estalido” (prolapso da valva mitral). As bases patológicas deste estalido não são totalmente conhecidas. Normalmente, 20% dos pacientes são assintomáticos, ocorre mais em mulheres, é um estalido mesossistólico, geralmente de alta frequência. Sugerem que o estalido é produzido pela brusca tensão, durante a sístole ventricular, do conjunto valva-corda deformado pelo processo degenerativo. O ruído pode ser confundido com atrito pericárdico. A ventriculografia pode dar o diagnóstico, de modo característico, do prolapso. A substituição cirúrgica da valva mitral, por exemplo, pode se mecânica ou biológica (de boi). A mecânica tem maior tempo de eficiência e exige menos novas cirurgias. Ambas, exigem controle de tromboses e acompanhamento da eficiência com TP (tempo de protrombina), ou melhor, na atualidade – INR (razão de normatização internacional).
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Laíse Francielle



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Data de inscrição : 21/03/2015

MensagemAssunto: Re: Insuficiência Mitral   Qua Abr 01, 2015 11:32 pm

O texto é bastante esclarecedor! Durante minha pesquisa, encontrei informações a respeito de alguns métodos de diagnóstico e sua relevância no tratamento dessa patologia. A ecocardiografia é importante por permitir o diagnóstico morfológico da valva e do mecanismo de regurgitação e a avaliação quantitativa (gravidade da regurgitação), sendo útil também na programação do tratamento cirúrgico. Há também o Eco 3D, que oferece maior detalhamento das estruturas que compõem o aparato valvular, o que ajuda na determinação de uma estratégia cirúrgica. Ele também permite a observação detalhada da anatomia e função do átrio esquerdo, possibilitando um maior entendimento da fisiologia atrial. O cateterismo cardíaco (realizado por meio da inserção de cateteres nos vasos sanguíneos) também pode ser usado para o esclarecimento da gravidade da insuficiência mitral, além de ser alternativa quando há suspeita de que essa patologia tenha origem isquêmica.
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mateus137



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Data de inscrição : 24/03/2015

MensagemAssunto: Re: Insuficiência Mitral   Sex Abr 03, 2015 10:48 pm

Muito bom e informativo o texto, me deixou realmente interessado em pesquisar e conhecer mais acerca do problema da insuficiência mitral e todas suas possíveis causas. Após realizar uma série de pesquisas, encontrei um trabalho muito interessante que explorou bem a insuficiência mitral congênita, com acompanhamento de diversos pacientes, com sexo, sintomas e idades bem variadas:



http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-76381998000400005
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Tiago dos Anjos



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MensagemAssunto: Insuficiência mitral   Sab Abr 04, 2015 10:33 pm

Ótimas informações! Estudando um pouco o assunto, deparei-me com algo bem interessante. Retomando a circulação sanguínea de um paciente com insuficiência mitral, observamos o retorno do sangue para o átrio no momento da sístole ventricular, tendo em vista a incompetência de uma, ou duas, válvulas mitrais. Por sua alta pressão na contração ventricular e posterior regurgitação sanguínea, parte do sangue pode ser bombeado de volta para os pulmões por intermédio das veias pulmonares, despertando alguns sintomas, como: tosse e falta de ar. MUITO INTERESSANTE o quão grande é a pressão da sístole ventricular, e a importância da mitral não só para a circulação do sangue, mas também para a correta troca gasosa alveolar.
O sangue, agora de volta ao átrio esquerdo, será responsável por alimentar a câmara ventricular esquerda, no entanto com quantidade de sangue superior ao normal, já que boa parte retornou no momento da contração ventricular. Tal fato desencadeia aumento de pressão atrial e prejudica a oxigenação sistêmica, pois parte do sangue destinada ao corpo foi desviada do curso normal. Dessa forma ocorre um aumento de frequência cardíaca como um mecanismo compensatório para a baixa irrigação sistêmica.
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GUSTAVO CAUE



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MensagemAssunto: Re: Insuficiência Mitral   Dom Abr 05, 2015 3:32 pm

Tema instigante! Na busca por melhor entender como é dado o diagnóstico para a doença, encontrei uma espécie de estetoscópio virtual mantido pela Universidade Estadual de Maringá. Nesta ferramenta podemos ouvir a ausculta cardíaca normal, a regurgitação mitral e outras patologias.
http://www.camem.uem.br/esteto.htm

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Hélia Cannizzaro



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MensagemAssunto: Re: Insuficiência Mitral   Ter Abr 07, 2015 9:12 pm

Excelente contribuição, Laíse Francielle.

Laíse Francielle escreveu:
O texto é bastante esclarecedor! Durante minha pesquisa, encontrei informações a respeito de alguns métodos de diagnóstico e sua relevância no tratamento dessa patologia. A ecocardiografia é importante por permitir o diagnóstico morfológico da valva e do mecanismo de regurgitação e a avaliação quantitativa (gravidade da regurgitação), sendo útil também na programação do tratamento cirúrgico. Há também o Eco 3D, que oferece maior detalhamento das estruturas que compõem o aparato valvular, o que ajuda na determinação de uma estratégia cirúrgica. Ele também permite a observação detalhada da anatomia e função do átrio esquerdo, possibilitando um maior entendimento da fisiologia atrial. O cateterismo cardíaco (realizado por meio da inserção de cateteres nos vasos sanguíneos) também pode ser usado para o esclarecimento da gravidade da insuficiência mitral, além de ser alternativa quando há suspeita de que essa patologia tenha origem isquêmica.
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Hélia Cannizzaro



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Data de inscrição : 23/06/2013

MensagemAssunto: Re: Insuficiência Mitral   Ter Abr 07, 2015 9:13 pm

Irei ler, Mateus.

mateus137 escreveu:
Muito bom e informativo o texto, me deixou realmente interessado em pesquisar e conhecer mais acerca do problema da insuficiência mitral e todas suas possíveis causas. Após realizar uma série de pesquisas, encontrei um trabalho muito interessante que explorou bem a insuficiência mitral congênita, com acompanhamento de diversos pacientes, com sexo, sintomas e idades bem variadas:



http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-76381998000400005
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Hélia Cannizzaro



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MensagemAssunto: Re: Insuficiência Mitral   Ter Abr 07, 2015 9:15 pm

Tiago dos Anjos
Texto perfeito. Muito bom.

Tiago dos Anjos escreveu:
Ótimas informações! Estudando um pouco o assunto, deparei-me com algo bem interessante. Retomando a circulação sanguínea de um paciente com insuficiência mitral, observamos o retorno do sangue para o átrio no momento da sístole ventricular, tendo em vista a incompetência de uma, ou duas, válvulas mitrais. Por sua alta pressão na contração ventricular e posterior regurgitação sanguínea, parte do sangue pode ser bombeado de volta para os pulmões por intermédio das veias pulmonares, despertando alguns sintomas, como: tosse e falta de ar. MUITO INTERESSANTE o quão grande é a pressão da sístole ventricular, e a importância da mitral não só para a circulação do sangue, mas também para a correta troca gasosa alveolar.
O sangue, agora de volta ao átrio esquerdo, será responsável por alimentar a câmara ventricular esquerda, no entanto com quantidade de sangue superior ao normal, já que boa parte retornou no momento da contração ventricular. Tal fato desencadeia aumento de pressão atrial e prejudica a oxigenação sistêmica, pois parte do sangue destinada ao corpo foi desviada do curso normal. Dessa forma ocorre um aumento de frequência cardíaca como um mecanismo compensatório para a baixa irrigação sistêmica.
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Hélia Cannizzaro



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Data de inscrição : 23/06/2013

MensagemAssunto: Re: Insuficiência Mitral   Ter Abr 07, 2015 9:19 pm

Gustavo Cauê
Achei muito interessante o estetoscópio virtual do CAMEM.
Irei visitar este site periodicamente.
Agora fiz uma visita rápida, mas retornarei.

GUSTAVO CAUE escreveu:
Tema instigante! Na busca por melhor entender como é dado o diagnóstico para a doença, encontrei uma espécie de estetoscópio virtual mantido pela Universidade Estadual de Maringá. Nesta ferramenta podemos ouvir a ausculta cardíaca normal, a regurgitação mitral e outras patologias.
http://www.camem.uem.br/esteto.htm

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