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 Sangue na Apendicite Aguda

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Hélia Cannizzaro



Mensagens : 1065
Data de inscrição : 23/06/2013

MensagemAssunto: Sangue na Apendicite Aguda   Qua Out 29, 2014 8:56 pm

Laboratório na Apendicite Aguda
1. Contagem leucocitária aumentada (12.000 – 14.000/mm3 de sangue) com desvio à esquerda (presença de células mais jovens, da linhagem, como bastão e metamielócito);
2. Aumento da velocidade de hemossedimentação (VHS);
3. Aumento de proteína C reativa (acima de 2,5mg/dL).
Parâmetros, inclusive, utilizados, para acompanhamento pós-cirúrgico.
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Beatriz Pimentel



Mensagens : 6
Data de inscrição : 24/09/2014

MensagemAssunto: Re: Sangue na Apendicite Aguda   Seg Nov 03, 2014 11:18 pm

Boa noite, professora! Achei interessante essa questão, uma vez que a apendicite aguda é a doença cirúrgica mais prevalente nas emergências e o diagnóstico e intervenção rápida são fundamentais para evitar as graves complicações. Embora o diagnóstico de apendicite aguda seja clínico, em algumas situações (dúvida diagnóstica) a realização de exames complementares pode ser útil, sendo um desses o hemograma.
Nesse contexto, procurei entender o que provoca cada uma das alterações no exame. No caso da leucocitose, há a predominância da neutrofilia, o que se explica pelo papel dessas células no combate ao foco infeccioso através de fagocitose. Já o desvio à esquerda significa que a maior demanda por leucócitos no local de infecção provoca a liberação pela medula de células ainda imaturas. Li relatos de que pacientes com período longo de evolução sem intervenção cirúrgica podem apresentar até mesmo exaustão da reserva granulocítica medular. Apesar da sensibilidade de 88,7%, alterações no LCG são pouco específicas. Já a PCR é um marcador inflamatório e seus níveis se tornam elevados em inflamações agudas, dado seu papel de opsonização (marcação) de células lesadas. Ela apresenta sensibilidade alta (96,9%) nos casos com mais de 24 horas de quadro sintomático, apesar de ser inespecífica. Por fim, a VHS apresenta níveis elevados também após 24 horas de evolução, mas a maior parte dos pacientes permanece com valores dentro da normalidade. É um exame de sensibilidade e especificidade baixas para a apendicite aguda, segundo o seguinte artigo http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-28032003000100006 .
Assim, a propedêutica mais utilizada é o exame clínico apurado com a pesquisa de sinais semiológicos específicos (Bloomberg, Chutro, Lenander, Lapinsky, do obturador) e a análise do LCG e da PCR, sendo dessa forma possível determinar o diagnóstico com certa precisão. No entanto, há casos duvidosos em que o diagnóstico diferencial deve ser baseado na idade e sexo do paciente e também através de exames de imagem. Achei relevante que a conduta recomendada quando da suspeita de apendicite aguda é a apendicectomia mesmo nesses casos duvidosos, uma vez que a a apendicite pode evoluir rapidamente para formas graves, como a supurativa ou a gangrenosa que costuma causar sepse e até óbito. Esse artigo ( http://revista.hupe.uerj.br/detalhe_artigo.asp?id=168 ) destaca que com a tecnologia de vídeolaporoscopia a intervenção é mínima, logo a avaliação de risco indica ainda mais fortemente a opção pela cirurgia. As observações estão corretas, professora?
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gabrielapimentelc



Mensagens : 2
Data de inscrição : 28/09/2014
Idade : 21

MensagemAssunto: Vídeo   Qui Nov 06, 2014 9:55 pm

Boa noite, professora! Achei esse vídeo que trata da histopatologia da apendicite aguda. Está em inglês mas a pronúncia é bastante claro e creio que será possível mesmo para os que não têm um inglês tão bom entender.

Link: https://www.youtube.com/watch?v=RcJL-xnm3tM]

No começo do vídeo ele demonstra um apêndice inflamado e explica os sinais da inflamação, o que torna bastante interessante a explicação posterior sobre a Histologia da região. Achei bastante interessante as modificações histológicas que ocorreram na lâmina exibida no vídeo, já que ele mostrou o aumento no volume da mucosa e sub-mucosa da região graças ao aumento do tecido linfóide localizado nessa área. Também destaca os neutrófilos localizados no lúmem do apêndice, consequência clara da leucocitose. O vídeo demonstra também ulcerações no epitélio e aumento nos vasos que irrigam a área. Ele fala que é necessário haver neutrófilos na camada muscular do apêndice para haver o diagnóstico correto, mas, como foi falado por Beatriz Pimentel, a apendicite é uma patologia com alto risco de cursar para algo pior e ao suspitar dela deve-se imediatamente fazer a retirada do apêndice cecal.
Por fim, ele cita e mostra a diapedese dos neutrófilos para a gordura circundante do apêndice, o que deixa clara a influência da inflamação nos tecidos próximos a ela e porque não pode ser ignorada afim de evitar uma piora no quadro patológico.
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Hélia Cannizzaro



Mensagens : 1065
Data de inscrição : 23/06/2013

MensagemAssunto: Re: Sangue na Apendicite Aguda   Sex Nov 07, 2014 7:25 pm

Corretíssimo, Beatriz Pimentel.
O paciente que chega com apendicite, chega normalmente com quadro emergente,
mesmo que ainda sem supuração e/ou gangrena das túnicas com peritonite.
A experiência do médico é fundamental. mais que exames complementares ou de Imagem.
Muitas vezes, este último, não permite tempo de sua realização.
Os sinais e sintomas (exame físico) e o hemograma são, especificamente, aqui, definitivos.


Beatriz Pimentel escreveu:
Boa noite, professora! Achei interessante essa questão, uma vez que a apendicite aguda é a doença cirúrgica mais prevalente nas emergências e o diagnóstico e intervenção rápida são fundamentais para evitar as graves complicações. Embora o diagnóstico de apendicite aguda seja clínico, em algumas situações (dúvida diagnóstica) a realização de exames complementares pode ser útil, sendo um desses o hemograma.
Nesse contexto, procurei entender o que provoca cada uma das alterações no exame. No caso da leucocitose, há a predominância da neutrofilia, o que se explica pelo papel dessas células no combate ao foco infeccioso através de fagocitose. Já o desvio à esquerda significa que a maior demanda por leucócitos no local de infecção provoca a liberação pela medula de células ainda imaturas. Li relatos de que pacientes com período longo de evolução sem intervenção cirúrgica podem apresentar até mesmo exaustão da reserva granulocítica medular. Apesar da sensibilidade de 88,7%, alterações no LCG são pouco específicas. Já a PCR é um marcador inflamatório e seus níveis se tornam elevados em inflamações agudas, dado seu papel de opsonização (marcação) de células lesadas. Ela apresenta sensibilidade alta (96,9%) nos casos com mais de 24 horas de quadro sintomático, apesar de ser inespecífica. Por fim, a VHS apresenta níveis elevados também após 24 horas de evolução, mas a maior parte dos pacientes permanece com valores dentro da normalidade. É um exame de sensibilidade e especificidade baixas para a apendicite aguda, segundo o seguinte artigo http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-28032003000100006 .
Assim, a propedêutica mais utilizada é o exame clínico apurado com a pesquisa de sinais semiológicos específicos (Bloomberg, Chutro, Lenander, Lapinsky, do obturador) e a análise do LCG e da PCR, sendo dessa forma possível determinar o diagnóstico com certa precisão. No entanto, há casos duvidosos em que o diagnóstico diferencial deve ser baseado na idade e sexo do paciente e também através de exames de imagem. Achei relevante que a conduta recomendada quando da suspeita de apendicite aguda é a apendicectomia mesmo nesses casos duvidosos, uma vez que a a apendicite pode evoluir rapidamente para formas graves, como a supurativa ou a gangrenosa que costuma causar sepse e até óbito. Esse artigo ( http://revista.hupe.uerj.br/detalhe_artigo.asp?id=168 ) destaca que com a tecnologia de vídeolaporoscopia a intervenção é mínima, logo a avaliação de risco indica ainda mais fortemente a opção pela cirurgia. As observações estão corretas, professora?
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