Conhecimento Virtual

Projeto Conhecimento Virtual Profa. Hélia Cannizzaro
 
InícioCalendárioFAQBuscarMembrosGruposRegistrar-seConectar-se

Compartilhe | 
 

 IAM (Outras Informações)

Ir em baixo 
AutorMensagem
Hélia Cannizzaro



Mensagens : 1065
Data de inscrição : 23/06/2013

MensagemAssunto: IAM (Outras Informações)   Sab Abr 05, 2014 4:59 pm

Turma 135

HELISÂNIA teve a curiosidade sobre Dor e IAM.
Releiam agora: Histologia do coração. Já leram pelo menos em 03 livros, após nossa aula de Cardiovascular?
Na primeira semana, do IAM, há fenômenos de necrose e início de remoção das fibras musculares necrosadas; segunda semana - os mecanismos de remoção chegam ao máximo, condicionando acentuado adelgaçamento da parede miocárdica, iniciando-se a formação de colágeno; terceira semana - período final de remoção do material necrótico, com formação abundante de colágeno; quarta a sexta semana - cicatrização progressiva da área infartada.
Lembrem histologicamente, que o miocárdio é nutrido por vasos dentro dos septos conjuntivos (TC) e que cada fibra muscular estriada é unida por TC também (discos intercalares). A cicatrização, muitas vezes, portanto, forma, lamentavelmente, uma espécie de "queloide" (expressão, exclusiva para cicatrização de pele) por abundância cicatricial com FIBRAS COLÁGENAS. Fibras colágenas que fazem parte integrante do TC.
Dados clínicos - Os sintomas premonitórios são opressão precordial de pouca intensidade (pode surgir nos dias anteriores à crise). Outros pródromos (início do quadro clínico), como disritmias e manifestações do sistema digestivo, como sensação de desconforto ou peso epigástrico. A dor do IAM é de caráter constritivo, opressivo ou em peso. A irradiação da dor tem relação com a artéria coronária comprometida. Sua duração é variável desde horas até dias. Os sintomas associados são náuseas, vômitos, eructações e sudorese. A queda da PA (pressão arterial) é elemento habitual no quadro clínico, mas pode ocorrer hipertensão. Os fenômenos periféricos secundários são palidez, sudorese, extremidades frias e lipotimia. Febre pode ocorrer após 12 a 24 horas. Na ausculta, há frequentemente uma hipofonese (hipossonoridade) de bulhas, aparecimento de terceira (ritmo de galope) e/ou quarta bulhas - e se houver comprometimento das regiões epicárdicas, pode surgir atrito pericárdico, na ausculta. Atenção, há também infarto sem dor. Quadros mais graves podem evoluir para disritmias, choque, IC (insuficiência cardíaca), acidentes tromboembólicos, pericardite, aneurisma cardíaco, rotura cardíaca, rotura do septo interventricular, rotura de músculo papilar, etc. O tratamento do IAM não complicado é, inicialmente, possibilitar a observação constante das funções vitais do paciente, inclusive com monitoração eletrocardiográfica (ECG) contínua. Nas arritmias cardíacas é discutível o uso de lidocaína em batimentos por minuto (bpm) superior a 50bpm ou atropina quando inferior a 50bpm. O controle da dor e da ansiedade constitui um dos objetivos mais importantes no tratamento do IAM. Quando a dor é muito intensa, a injeção de sulfato de morfina por via IV (intravenosa) é o tratamento de escolha e depois doses fracionadas. O uso de morfina pode levar náuseas e vômitos que são controlados com 0,5 a 1mg de atropina. O repouso é fundamental. Os antocoagulantes são utilizados no alto risco de ICC (insuficiência cardíaca congestiva - direita e esquerda), estado de choque, embolia pulmonar, dilatações varicosas ou tromboses de MMIIs.
Retornarei.
Hélia Cannizzaro
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Helysânia Shádylla



Mensagens : 27
Data de inscrição : 02/04/2014

MensagemAssunto: Re: IAM (Outras Informações)   Dom Abr 06, 2014 6:46 pm

Muito Obrigada, professora. Só mais uma coisa, já que tem infarto sem dor, qual seria o sintoma mais proeminente ou principal, neste caso, para um médico desconfiar logo que pode ser um infarto?
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Hélia Cannizzaro



Mensagens : 1065
Data de inscrição : 23/06/2013

MensagemAssunto: Re: IAM (Outras Informações)   Dom Abr 06, 2014 7:25 pm

Helysânia. Com muita frequência esses pacientes apresentam hipotensão arterial, sudorese e mal estar - sem dor.
Daí, poder ser o caso mais grave essa atipia clínica, quando não encaminhados imediatamente para um hospital.
Esses IAM sem dor, "mascarados", costumam ser os mais graves. Por falta de tratamento imediato.
Se o paciente for para o hospital, o diagnóstico é processado de imediato - numa equipe competente,
é claro.


Helysânia Shádylla escreveu:
Muito Obrigada, professora. Só mais uma coisa, já que tem infarto sem dor, qual seria o sintoma mais proeminente ou principal, neste caso, para um médico desconfiar logo que pode ser um infarto?
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
maxwellmoura



Mensagens : 6
Data de inscrição : 01/04/2014

MensagemAssunto: Re: IAM (Outras Informações)   Seg Abr 07, 2014 1:14 am

Prof. Hélia, lendo aqui a resposta que foi dada à Helysânia, lembrei de um caso que ocorreu na minha família há mais ou menos 2 anos, só pra complementar com sua explicação. Vale a pena lembrar ,também, que algumas pessoas podem ter infarto e não ter a dor de forma "típica" como: dor no peito, dificuldade pra respirar, tontura, palidez e etc... Em uma ocasião, minha bisavó, que era diabética e hipertensa começou a sentir um enjoo repentino e vômitos, mas da parte dela não foi relatado nenhum tipo de dor, todos acharam que era apenas um mal-estar da comida, ou algo do tipo,  resolveram não levá-la  para um hospital e ela foi apenas descansar. Depois de umas duas semanas levaram-a para fazer uns exames de rotina e para a surpresa de todos, foi detectado que ela tinha tido um infarto. Prof., Qual a influência maior desse não parecimento de dor?  Seria de um caso menos grave de infarto, ou não tem nada a ver com isso?
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Hélia Cannizzaro



Mensagens : 1065
Data de inscrição : 23/06/2013

MensagemAssunto: Re: IAM (Outras Informações)   Sex Abr 11, 2014 4:15 pm

Maxwell Moura
A gravidade e intensidade da dor dependem, entre outros, da extensão de comprometimento do miocárdio.
O IAM sem DOR é pouco frequente, surgindo particularmente em pessoas idosas, nas quais a extensão de fenômenos
ateroscleróticos aos vasa nervorum determina lesão de filetes nervosos, eliminando a via aferente da sensação
dolorosa. Nessa eventualidade, o diagnóstico costuma ser sugerido pelo aparecimento súbito, e sem
motivos aparentes, de náuseas e vômitos, de disritmias, hipotensão arterial, etc.
Essa relação com idade mais avançada versus patologias, costuma também ocorrer com infecções de
forma geral, como nas pneumonias - os pacientes têm menor tendência a apresentar leucocitose
no Hemograma (quando bacteriano) e menor tendência à febre.
Daí, a grande importância da experiência Médica e fundamentalmente da Geriatria.
Hélia Cannizzaro

maxwellmoura escreveu:
Prof. Hélia, lendo aqui a resposta que foi dada à Helysânia, lembrei de um caso que ocorreu na minha família há mais ou menos 2 anos, só pra complementar com sua explicação. Vale a pena lembrar ,também, que algumas pessoas podem ter infarto e não ter a dor de forma "típica" como: dor no peito, dificuldade pra respirar, tontura, palidez e etc... Em uma ocasião, minha bisavó, que era diabética e hipertensa começou a sentir um enjoo repentino e vômitos, mas da parte dela não foi relatado nenhum tipo de dor, todos acharam que era apenas um mal-estar da comida, ou algo do tipo,  resolveram não levá-la  para um hospital e ela foi apenas descansar. Depois de umas duas semanas levaram-a para fazer uns exames de rotina e para a surpresa de todos, foi detectado que ela tinha tido um infarto. Prof., Qual a influência maior desse não parecimento de dor?  Seria de um caso menos grave de infarto, ou não tem nada a ver com isso?
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
lais



Mensagens : 10
Data de inscrição : 16/04/2014

MensagemAssunto: Re: IAM (Outras Informações)   Qua Abr 16, 2014 3:08 am

Prof. Hélia, nos casos mais graves (pelo que li) ocorre também o desdobramento paradoxal da segunda bulha, além do aparecimento da terceira e quarta bulha, habituais apenas em crianças e adolescentes. Não entendi bem o motivo desta alteração na segunda bulha. Seria por alguma dificuldade na ejeção, no fluxo retrógrado...? Não encontrei um motivo claro para o termo "desdobramento paradoxal".
Obrigada!
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Conteúdo patrocinado




MensagemAssunto: Re: IAM (Outras Informações)   

Voltar ao Topo Ir em baixo
 
IAM (Outras Informações)
Voltar ao Topo 
Página 1 de 1

Permissão deste fórum:Você não pode responder aos tópicos neste fórum
Conhecimento Virtual :: Medicina - Turma 135 - UFPE :: CV propriamente dito-
Ir para: